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ESPELEOLOGIA

"(...) os escravos, antigamente, aproveitavam essa vantajosa situação e faziam dessa furna magnífico esconderijo onde podiam bem resistir á fúria dos bárbaros senhores".(...) Semelhante ao que se passa nas grutas calcáreas, as paredes da furna são forradas de uma camada de 1 a 2 centímetros de espessura em alguns pontos, em outros mais grossa, onde predomina uma argila alva proveniente do "cimento" do grês."
Álvaro da Silveira , 1922.

O Parque abriga muitas cavernas, com potencialidade para a existência de mais de vinte, tendo sido registradas quinze pela Sociedade Brasileira de Espeleologia. O sistema que constitui o Distrito Espeleológico da Serra do Ibitipoca pode ser definido pelas seguintes características:
- dissolução condicionada pelas estruturas de acamamento e falhamento.
- predominância de desmoronamento em relação a dissolução,
- grandes salões de abatimento,
- drenagem subterrânea sazonal,
- espeleotemas de sílica (SiO2) pouco desenvolvidos (centimétricos),
- sedimentação de material hipógeno ou epígeno no piso das cavernas, e/ou áreas de erosão intensa (aprofundamento rápido), causada pela circulação sazonal da água.

As cavernas do Parque são diferentes entre si, com variações nas formas e aprofundamento de condutos, nos desenvolvimentos horizontais, declividades, circulação de água, deposição de material sedimentar, influência de luz, calor e umidade, ou seja, diferentes subsistemas. O processo de formação de pipes é denominado piping. O pipe é um pequeno canal, centimétrico a métrico, originado, em quartzito, através da dissolução de sílica pela água e ácidos que percolam lentamente pela porosidades estruturais (porosidades primárias: interseção entre fraturas e interseção entre fraturas e planos de acamamento. A rocha torna-se então incoesa (processo de arenização) nos arredores destas estruturas que passam a concentrar os fluxos de água, aumentando a porosidade e conseqüentemente a permeabilidade local (desenvolvimento da porosidade secundária). Os pipes passam a concentrar o fluxo de água, formando uma rota preferencial de desagregação mecânica da rocha (transporte de grãos pelo movimento das águas subterrâneas) (CORREA NETO, et al, 1993). Os condutos e salões são ainda mais alargados devido ao enfraquecimento das camadas mais propensas à solubilidade, ou seja, são ainda potencializadas pela energia hidráulica, ocorrendo conseqüentemente abatimentos ("desabamentos subterrâneos") das cavernas. As camadas de quartzito fino micáceo são mais suscetíveis a esse processo, justificando assim o maior tamanho das cavidades nela originadas. Sua menor grã favorece a dissolução, por oferecer maior superfície de contato com a água (CORREA NETO, et alli, 1993). Algumas cavernas se formaram também por erosão fluvial, quando por exemplo, o rio diminui o seu trajeto após encontrar uma zona de fraqueza (CORREA NETO, et alli, 1993).

A carstificação (formação das cavernas) em quartzitos pode ser subdividida didaticamente por três estágios:
- Pré-iniciação: instalação dos sistemas de descontinuidades (fraturas, planos de acamamento) e dissolução de sílica e/ou por lixiviação de feldspatos (porosidade secundária, percolação, processo de arenização);
- Iniciação: retirada mecânica de material ao longo das zonas previamente enfraquecidas, circulação de água pelos pipes, concentração dos fluxos em rotas preferenciais;
- Desenvolvimento: abertura e alargamento brusco dos condutos (aumento de eficiência de fluxo e vazão).

Texto: Dra. Luciana Graci Rodela (Doutora em Geografia Física)




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