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É simples mas é fantástico


Por: João Benevides


É clichê, mas é verdade. A beleza está nas coisas simples. E em matéria de coisas simples, belas e emocionantes, o negro é especialista. Não existe nada mais puro do que as manifestações culturais que partem deste povo. Existe gênero musical mais sentido do que o Blues? Luta mais comovente do que a Capoeira? Dança mais tocante do que o Moçambique? Com relação a primeira e segunda perguntas pode ser que haja alguém que discorde. Porém, no tocante à terceira questão, pelo menos aqueles que assistiram a última apresentação da dança em Conceição do Ibititpoca devem soar em uníssono: fantástico


A movimentação, é simples, mas é fantástica. O ritmo, é simples, mas é fantástico. As canções, são simples, mas são fantásticas. Os integrantes, são simples, mas são fantásticos. E a receita parece ser uma só; eles fazem tudo com os sentimentos a flor da pele. Um dos mais expressivos é o Capitão – daí talvez a razão para que ocupe tal posição – que, tal qual um maestro, conduz o resto do grupo. Não o faria sem a ajuda do Caixeiro, que de cara amarrada desfere baques sobre sua alfaia, ditando o ritmo da dança. Junte-se a isso cerca de 12 passistas, que contribuem com suas vozes, seus bastões e os guizos presos a seus tornozelos. A sensação é entorpecedora


A impressão é a de ter sido tragado do século 21 direto para meados do século 19, quando os escravos faziam a dança em louvor a São Benedito ou a Nossa Senhora do Rosário. O interessante neste tipo de manifestação religiosa e até certo ponto folclórica, é que é dada aos espectadores a oportunidade de assistir a algo histórico e tradicional, acontecendo ali, diante de seus olhos. É como ir a um museu e lá encontrar as pessoas que viveram naquele contexto.


O grupo que se apresentou na ocasião aqui retratada é o de Santana do Garambéu. No entanto, grata é a notícia de que integrantes deste estão a coordenar o treinamento de outros, que farão parte, futuramente, do grupo de Conceição do  Ibitipoca. Ótimo! Quantos mais vierem melhor! Afinal de contas é sabido que uma árvore sem raízes, não fica de pé. Porém, cuidando-se de sua fundação, é possível não só mantê-la erguida, como colher seus frutos em um futuro próximo


Sobre o grupo entre em contato com:
Zé Tatão - (32) 8414 1652




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